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Seguro de vida: revenda de apólices nos EUA gera muito dinheiro

Atualizado: 24 de jan. de 2020

Nada mais recompensador do que aproveitar o seguro de vida ainda em vida. A revenda de apólices funciona como um desconto simples de duplicata. Os números desse mercado chegam a assustar. Em 1993, o mercado secundário somava US$ 200 milhões e isso saltou para US$ 44 bilhões em 2010, chegando a quase US$75 bilhões em 2016.


Você já pensou em resgatar o valor do seu seguro de vida alguns anos antes da morte e ainda usar esse dinheiro em outros investimentos?

Ou para aproveitar a aposentadoria de forma mais tranquila? Ou viajar mais? Ou ainda melhorar o “lifestyle” ao final da vida? Pois é isso mesmo que muitos americanos estão fazendo!



Vejamos algo que ocorreu na vida real:

Um cliente que passava por dificuldades financeiras descobriu que seu irmão caçula, sócio no negócio, estava roubando seu patrimônio. Ao descobrir era tarde e a empresa se aproximava da falência. A ideia do empresário era cancelar uma apólice de seguro de vida, resgatar o dinheiro e investir em outro negócio. À época, este cliente tinha 70 anos e gozava de boa saúde, com possibilidade de longevidade.


Caso cancelasse a apólice, no valor de US$ 10 milhões, ficaria com apenas US$ 3 milhões, devido às cláusulas . Com uma negociação no mercado secundário, o empresário vendeu o título por US$ 6,2 milhões para um banco de investimentos e terminou com o dobro do valor. Tudo isso em uma transação simples, legal e segura. 


O exemplo acima é possível nos Estados Unidos, por meio dos ‘life settlements’ ou ‘viatical settlements’, que na prática funcionam como a revenda de apólices de seguros no mercado secundário.


A vantagem da transação reside no fato do segurado. Em caso de desistência da apólice por qualquer razão, seja por doença, falta de dinheiro para continuar arcando com o prêmio ou ainda a falta de necessidade do contrato, poder recuperar valores bem superiores ao investimento total aportado e não correr o risco de simplesmente sair da apólice com o valor de resgate e sim com um valor substancialmente maior.


Quanto maior a idade, maior será esse valor da indenização por parte desse cliente. O calculo é simples e envolve idade, saúde e expectativa de vida.


Geralmente, os pareceres de 3 médicos independentes fazem parte desse processo e doenças críticas ou terminais fazem parte da análise. Com isso, se cria uma expectativa média de vida em número de meses.


Muitas vezes, as seguradoras (por razões de precaução adicional) colocam ainda 24 meses a mais para efetuarem o cálculo de quanto pagar ao cliente.


Por outro lado, é importante destacar que o retorno do investimento dependerá também da expectativa de vida do segurado e do número de parcelas a serem pagas do seguro. O risco embutido na transação se dá no caso do segurado original acabar vivendo mais do que o esperado.


Mas, esse risco para o investidor é drasticamente diluído pelo número de apólices (entre 10 e 12 contratos) dentro de um portfólio oferecido. Muitos falecem devido aos casos de saúde crônicos antes do período estipulado. Dessa forma, maximizam o retorno nessas estruturas.


A opção por esse tipo de negócio teve crescimento nos Estados Unidos a partir dos anos 80, quando a Aids passou a ser uma preocupação para muitas pessoas. Naquele momento, o risco imediato de vida fez com que o seguro de vida se tornasse um ativo de valor, principalmente pela possibilidade de resgate em curto prazo.


É importante ressaltar que as estruturas de venda de seguro de vida já entraram há bastante tempo na lista de instrumentos financeiros e commodities em Wall Street e diversos mercados financeiros mundiais. Hoje, é muito comum você comprar um portfólio com 10 ou 12 apólices de seguro com pessoas de diferentes idades, saúde e expectativa de vida. Em geral, esses contratos pagam valores entre 65% a 90% de rendimento bruto em períodos de 4 a 7 anos. Por que será? Pelo simples fato de que todos morreremos!


Até nisso o americano encontrou uma forma extremamente lucrativa de ganhar dinheiro, diga-se de passagem, de forma extremamente honesta e correta. Aguardando que alguém faleça para se beneficiar desse contrato já vendido nesse aquecido mercado secundário.


Os fundos desse tipo foram lançados nesse setor por fundos de hedge, fundos de pensão e grandes empresas financeiras nacionais e internacionais.


Em resumo, é seguro sim vender sua apólice e não precisar dormir com um olho fechado e outro aberto. Isso é America! Não trabalhamos assim!


Os investimentos life settlements-backed securities representam uma forma de diversificação do portfólio, com risco extremamente limitado (risco de liquidez somente, esperar o segurado falecer para coletar o valor a ser indenizado) e ganho potencial significativo.


De acordo com uma pesquisa recente, elaborada pela Universidade de Stanford, é possível simplificar e melhorar o mercado secundário de seguros, aproximando compradores e vendedores.


A ideia dos estudantes da universidade é fornecer uma base de dados para que os preços pagos por apólices se aproxime mais da realidade e contemple a necessidade de todos os atores. O intercâmbio de informações ainda não está disponível, mas deve ocorrer em breve.


Existem leis sendo discutidas no Congresso para que a opção do cancelamento a partir de certa idade passará a ser secundária. A primeira opção será sentar com um “advisor” e verificar a chance desta apólice ser vendida no mercado secundário.


Por conta de tudo isso que enumeramos a ideia de investir em um seguro de vida nos Estados Unidos. Interessante, não?

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