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Por qual razão o brasileiro imobiliza o patrimônio?

Atualizado: 22 de jan. de 2020

Inflação alta, histórico de planos econômicos, taxas de juros elevadas e insegurança jurídica são problemas constantes na história do Brasil.

O impacto disso se reflete em uma opção pela imobilização do patrimônio, ou seja, aquisição de imóveis, como terrenos, casas e apartamentos.

São muitos os casos em que pessoas acumulam riquezas e preferem adotar a estratégia

As razões para isso, conforme falamos no começo do texto são várias. Entre 1980 e 1989, a inflação média no Brasil foi de 233,5% ao ano. Na década seguinte, entre os anos de 1990 e 1999, a variação anual subiu para 499,2%, afetada principalmente pela primeira metade, antes do Plano Real.


A corrosão do valor dos salários e poucas opções lucrativas de investimentos ao longo das décadas de hiperinflação – aplicações no overnight e letras do Tesouro – podem ter reforçado a escolha pela imobilização.


Além disso, a sucessão de planos econômicos com resultados desastrosos reforçaram a aposta. Na tentativa de atacar a inflação, os governos brasileiros apostaram em soluções que variavam entre o congelamento de preços, indexação e gatilhos salariais.


O primeiro plano “milagroso”, o Cruzado, foi instituído em 1986. Após a euforia no começo, a população passou a sofrer com o desabastecimento de produtos essenciais, como a carne, e em menos de um ano a inflação voltou a assustar

Na sequência veio o Plano Verão, que criou o Cruzado Novo, modificou o índice de rendimento da caderneta de poupança, promoveu o congelamento dos preços e salários e extinguiu a OTN, importante fator de correção monetária.


Para completar o quadro, o Plano Collor confiscou a poupança de milhares de pessoas e afetou ainda mais a situação.


Nesta época, o mercado de ações também não era uma opção. O mercado acionário brasileiro não apresentou o crescimento considerável, apesar de incentivos dados por meio de isenções fiscais dos ganhos obtidos em bolsa, abatimento no imposto de renda e programas de financiamento a juros subsidiados efetuados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).


Impacto


A imobilização do patrimônio causa um problema imediato: a falta de liquidez.

Vamos imaginar que um empresário tenha estruturado seus bens com a proporção de 90% em imóveis e o restante dividido entre aplicações e talvez até um seguro de vida.


É possível inferir que a disponibilidade imediata desses bens, principalmente pela dificuldade em comercializar imóveis, seria inexistente.


Já falamos algumas vezes neste espaço sobre estratégias como a criação de trusts, planejamento do uso de apólices de seguro de vida e ainda a adoção de outros procedimentos para proteção do patrimônio.


Essas táticas ficam limitadas quando se tem um alto grau de imobilização.


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